terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Como ensinar os filhos a lidarem com o dinheiro de maneira sensata


Enquanto dispuser de algumas moedas, sentirá a necessidade imperiosa de gastá-las imediatamente, até que não sobre nem um centavo. Se não tem dinheiro, não pára de pedir que lhe compremos algo. Será possível ensinar aos filhos como usar e administrar o dinheiro? A maioria dos pais está de acordo de que isso é possível, mas como?

O dinheiro, além de ser uma invenção que contribuiu para o progresso da humanidade, é uma realidade quotidiana, a par do elemento sociológico e cultural com o qual nossos filhos necessariamente terão de conviver. Tem um considerável valor funcional, mas nem sempre lhe damos a devida importância educativa.

Durante as férias de verão, os pais de César, de quatro anos de idade, observaram que quando saíam para passear de tarde, como de costume, e lhe perguntavam se queria um sorvete ou outra guloseima, ele recusava e continuava brincando. Como essa conduta se repetisse por vários dias, sendo de todo inesperada, concluíram que alguma coisa de anormal estava acontecendo e precisariam descobrir. Depois de algum rodeio, César confessou:

- Se não compramos mais sorvete, economizamos para comprar aquele carro de passeio que a gente queria tanto!

Júlio, de quatorze anos, está continuamente recriminando os pais por não comprarem uma moto para ele, e em conseqüência se recusa a estudar. Sua mãe me explicava que o que mais desejaria era ter dinheiro para comprar-lhe essa moto e ver se, assim, ele passaria a se interessar pelos estudos.

São duas histórias reais, que exemplificam o ponto e o contraponto na educação do uso do dinheiro. Podemos afirmar que os pais de César estão desenvolvendo melhor tarefa educativa que os pais de Júlio, uma vez que César, com apenas quatro anos, é capaz de dominar um desejo muito apetitoso, estimulado por algo está muito distante no tempo, ao passo que Júlio, bem mais velho, não é capaz de cumprir suas responsabilidades, a não ser em troca de um bem material.


Aprendizagens relacionadas ao dinheiro

Embora possa parecer óbvio, devemos nos assegurar de que os nossos filhos consigam assimilar certas aprendizagens relacionadas com o dinheiro. Tais aprendizagens não se adquirem de forma espontânea, mas são respostas a estímulos recebidos. Normalmente, se em casa lhes oferecemos modelos adequados, é frequente que as crianças ajam de maneira consequente. Entretanto nem sempre nem necessariamente é assim. Por vezes, como conseqüência de outras influências, ou por uma falta de sensibilidade com relação a certas aprendizagens, pode ocorrer que nossos filhos apresentem atitudes insensatas ou incoerentes em relação ao dinheiro. Convém, por isso, nos certificarmos que eles assimilem certas atitudes e hábitos, antes que seja tarde demais.

Concretamente eles devem aprender que:

1) Convém administrar o dinheiro de modo que uma parte seja guardada para, futuramente, adquirir bens de custo elevado.

2) Dinheiro serve para obter coisas necessárias e úteis, como também para pagar alguns caprichos ou atividades de recreação.

3) Com o dinheiro se pode ser solidário e ajudar outras pessoas.

4) Se cuidarmos bem de tudo que usamos, evitamos gastos desnecessários, o que nos permitirá poder comprar outras coisas.

5) Dinheiro se obtém em troca de trabalho.

6) Todos nós temos o direito de dispor de dinheiro como fruto do trabalho, não, porém, em troca de nada, o que seria um privilégio.

7) É preciso administrar o dinheiro de forma a nos permitir enfrentar os gastos de um determinado período de tempo.

A maneira de sabermos se realmente eles aprenderam, será observar se, de modo progressivo, mostram formas de comportamento condizentes com as aprendizagens acima.


A idade dos filhos condiciona as aprendizagens que lhes possamos propor.

A prudência nos adverte que não é possível ensinar-lhes tudo de uma vez. Além do mais, sua maturidade intelectual lhes impediria algumas aprendizagens. Conseqüentemente, o recomendável é estabelecer uma seqüência de objetivos conforme a idade da criança:

Até os sete e oito anos, podemos ensinar de preferência os três primeiros tipos de aprendizagem. São as primeiras atitudes de economia, de solidariedade e do uso do dinheiro.

Entre os oito e onze anos, ou doze - quando já se tem uma visão menos egocêntrica do mundo e se é capaz de compreender e de desenvolver alguns raciocínios, como também de relacionar algumas conseqüências com suas causas - vem o momento de se descobrir a relação entre dinheiro e trabalho, e de aprender a relacionar o cuidado das coisas com o dinheiro. Podemos tratar, nesta fase, além dos três primeiros tipos, das aprendizagem que se apresentam em quarto e quinto lugar.

A partir dos doze anos, com o progressivo aflorar do pensamento formal e da capacidade temporal, podemos ensinar-lhes a administrar, a ser previdentes e a dar valor aos seus próprios direitos, obrigações e privilégios. Procuraremos chegar ao final da lista de objetivos.


O uso do dinheiro antes dos oito anos

Desde os primeiros anos é aconselhável aproveitar qualquer circunstância para que as crianças participem de atividades de compra. Podemos pedir-lhes que elas mesmas peçam ao vendedor o que vamos comprar, paguem com o dinheiro que lhes dermos e esperem o troco. Será um primeiro contato delas com o dinheiro e as compras.

Quando alcançarem maturidade suficiente para compreender as quantidades e os preços de algumas coisas do seu interesse (guloseimas, pequenos brinquedos, material escolar...), podemos aproveitar para lhes dar certa quantidade de dinheiro, para que decidam onde comprar: se numa banca de revistas, numa livraria etc. Nas primeiras vezes, vale a pena ajudá-las a tomar as suas decisões.

É importante usar a mesma estratégia para a aquisição de objetos supérfluos e objetos necessários (lápis, apontador, cadernos...). Trata-se, aqui, de fazê-los participar, desde cedo, na compra dos dois tipos de produtos, pois alguns de nossos filhos podem pensar que as coisas necessárias e úteis são algo que lhes é dado, sempre, de graça, e por isso não precisam nem pensar a respeito. Por isso, tentaremos assentar as bases para que em seu campo de visão econômica apareçam as diferentes facetas dessa realidade.

Simultaneamente, teríamos que providenciar para eles um cofre ou objeto similar, onde possam guardar o dinheiro que sobra de suas compras, ou o que venham a receber de familiares ou de amigos, e que não gastaram. Junto com a aquisição do cofre, deveríamos explicar-lhes que nele se pode guardar o dinheiro que deve servir para comprar alguma coisa para seu uso próprio ou para presentear alguém. Convém que desde o princípio lhes expliquemos as duas finalidades, ajudando-os a planejar alguma em particular (algo que lhes dê prazer, como para o aniversário da mamãe...). Também é o momento de aproveitar qualquer acontecimento da atualidade para incentivá-los a usar parte desse dinheiro em donativos que ajudem outras pessoas, mas, sempre, deixando-os livres para decidir sobre a quantidade.

Como em outras facetas educativas, é preciso acompanhá-los em seus primeiros contatos com o dinheiro, a fim de que se tornem capacitados para perceber diferentes aspectos da realidade e, graças a isso, aprenderem a tomar decisões razoáveis. Mais para a frente, à medida que notarmos seus progressos, aumentaremos sua liberdade e o grau de dificuldade para suas novas decisões.


por José María Lahoz García, Pedagogo (Orientador escolar e profissional), Professor de Educação Primária e de Psicologia, e de Pedagogia na Escola Secundária.

Fonte Original: Solohijos - www.solohijos.com

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Não podia deixar de iniciar o ano de 2012 com um tema como este, e uma lição de vida maravilhosa que serve para todos nós"! Um Feliz e Abençoado Ano Novo para todos vocês que me seguem e me apoiam!



Pai deixa 28 lições de vida aos filhos antes de morrer



Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy. Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai – mesmo à distância. Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros. Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.
Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio. Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa. E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização”. “Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz”, diz Mandy ao jornal Daily Mail.
“Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.” Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.
O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens. Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos – e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem.
“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso.
Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.
Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.
Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.
Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.
Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.
Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.
Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.
Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.
Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.
Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.
Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.
Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.
Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem… por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.
Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.
Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.
Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.
Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.
Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.
Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.
Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.
Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.
Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.
Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas não corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.
Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.
Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.
Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!
E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.
Amo vocês com todo meu coração,
Papai”
Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.

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